Coordenadas M - 953.765 (f. 331, 1954); no terreno sobranceiro ao Tejo, na sua margem direita, numa faixa que se estende da ponte do caminho de ferro até quase ao Lopo. A área, que ainda não há muito se ouvia designar por Cidade de Cousa Bela, é de ocupação muito antiga, sendo atestada documentalmente desde meados do século XIV.
Depósitos de terraços fluviais Q3 25-40 metros do Plistocénico, com afloramentos de micaxistos e metagrauvaques intercalados da série negra do Sul Peninsular pré-câmbrico
A Punhal de cobre, que foi encontrado cerca de 1955 por Hipólito Cabaço, uns 50 metros a montante da ponte CF. De acordo com Maria Amélia Horta Pereira, tratava-se de um trabalho extremamente primitivo, mais afim, pelo encabamento, dos cobres do Mediterrâneo Oriental, dele se podendo inferir que naquela área existiu uma tholos ou um povoado com níveis contemporâneos do Eneolítico final, de qualquer modo um contacto com a cultura almeriense, muito provavelmente por via interior, e através do Guadiana. B Acerca desta estação e da seguinte escreveu Diogo Oleiro, em 1942: No sítio de Cousa Bela (...) desde a linha férrea ao Tejo encontram-sepedaços de tijolo e telha romana em pequena quantidade. Seguindo em direcção às casas do Lopo, por todo o olival se topam restos de telhas (tégulas e ímbrices), tijolos, fragmentos de potes e alguns pesos de tear, intensificando-se estes vestígios próximo das ruínas duma casa do Lopo e no chão em frente, até à linha férrea, ao lado da escala do Tejo. Cavadas na rocha e com jeito de terem servido de sepulturas, e possivelmente depois de depósitos para recolha de peixe das pesqueiras, encontram-se ainda algumas cavidades, e próximo, restos de cerâmica. Na última visita que fiz àquela estação arqueológica, em Novembro findo, encontrei um capitel dórico, de boa pedra, com um quadrado cavado, que foi retirado duma parede em ruínas, próximo do Tejo; e quási à flor da terra um peso de tear pequeno e um fundo de pote. Informaram-me que há tempos, ao serem abertas umas covas para meter estacas de oliveiras, apareceram telhas grandes, tijolos e outras peças de cerâmica. Moedas apareceramduas. Em resumo, apuram-se os seguintes materiais do Casabel: Um capitel (no Museu D. Lopo, sob os n.ºs de inventário R-54 / 152 - [Foto 73]; cerâmica doméstica e de construção da época romana (lateres, fragmentos de tegulae e imbrices), no mesmo Museu, sob os n.ºs R - 159, 115 a 120 e 126 a 130; moedas; sepulturas, estas talvez já medievais.
A Tholos ou um povoado (?), relativamente ao punhal. B Villa rustica (em associação com a estação seguinte)
A Eneolítico - Bronze Final (?). B Período romano, Alto e Baixo Império (?)
Defronte de uma velha casa que ali existia e que alguns moradores da zona tinham por assombrada, via-se há anos uma pequena galeria, esconderijo ou eventual vestígio de mineração antiga, que muita gente chegou a admitir ser a saída de um túnel que ligava o Tejo ao Castelo e por onde os mouros desciam a dar de beber ao gado. Acerca desta crença popular podemos, no entanto, afirmar que não tem o mínimo fundamento. Em princípios de 1981, promoveu a secção de Arqueologia da ADEPRA uma operação de sondagem ao interior da galeria, tendo-se concluído que a sua extensão não era superior a 30 metros. Soubemos ainda de uma outra equipa que fizera antes idêntica tentativa e, obviamente, com o mesmo resultado.
HORTA PEREIRA (1970-b), OLEIRO (1942-b)