Coordenadas N 905 786 (f. 331, 1992). No interior da casa n.º 27, da Rua Direita.
Formação argilo-arenítica do Miocénico Superior.
Vidrados e faianças.
- Na abertura de um cabouco para implantar um pilar no interior da casa, foi possível registar alguns dados estratigráficos que a seguir se transcrevem:
- 0-10 cm (C1) - Piso de tijoleira, com saibro alaranjado para assentamento do pavimento.
- 10-58 cm (C2) - Terra castanha escura com abundante escória de ferro. Esta cobria um muro com cerca de 40 cm de largura e um piso (C3). Misturadas com a escória, algumas cerâmicas comuns e alguns vidrados amarelos e outros brancos bem como fragmentos de pratos com vidrado a azul e vináceo.
- 58-60 cm (C3) - Piso de terra fina amarelada assente sobre areão fino alaranjado.
- 60 cm... (C4) - Areão e calhau rolado e terra alaranjada/avermelhada (terraço).
- A estrutura habitacional observada era construída com seixos de quartzite, xisto e escória, ligado através de uma composição à base de saibro alaranjado e revestido com estuque. Toda a estrutura estava coberta pela C2 que, portanto, lhe seria posterior. A sua orientação em nada parece diferir do alinhamento actual da casa em relação à rua.
Face aos fragmentos cerâmicos recolhidos podemos apontar uma cronologia que se situará entre os séculos XVI-XVIII, podendo algum do espólio recuar até ao século XV. Pode-se afirmar que a estrutura observada aponta para uma ocupação anterior à cerâmica recolhida. A grande quantidade de escórias podem fazer supor a existência, nas proximidades, de uma forja anterior ao século XVI, sendo aproveitado os seus escoriais de ferro nas estruturas habitacionais da área. Curiosamente, ainda nos anos 60 existia na Rua D. João de Deus uma antiga forja.
Ainda na mesma Rua, no nº 47, em obras ali realizadas de rebaixamento do solo, foi possível constatar algumas camadas de entulho com faianças decoradas a azul e vináceo datáveis do Século XVI-XVIII. Na rua Avelar Machado nº 23/25 também em obras alí efectuadas, observou-se nos entulhos faianças da mesma época. Nos caboucos abertos para a construção habitacional junto da Igreja Matriz, a estratigrafia revelou-se estéril. Isto revela que se trataria de um espaço agrícola e de olival, podendo indicar uma fraca construção habitacional nesta parte Norte da igreja. Também junto ao muro do adro da igreja mas a Oeste, na construção de uma casa apenas se observaram restos escassos e muito fragmentados de faianças do Século XVI-XVIII, sendo notória a ausência de estruturas. Este facto pode apontar para que esta área voltada para o Porto do Tejo ali ainda em parte existente e construído em 28 de Novembro de 1903 disporia de pouca ou nenhuma construção habitacional.